CUIDAR DE UM, CUIDAR DE TODOS! SAÚDE NO CRUSP

Vivemos em período de grandes mudanças e crises em todo o conjunto da sociedade. As crises, de natureza cíclicas, provocam grandes períodos de perturbação geral e gigantesco sofrimento social; as condições de vida pioram, o tempo se torna mais escasso e nossos corpos cobram profundamente o excedente de energia que gastamos, por vezes, de maneira desnecessária. O trabalho, o estudo e os relacionamentos se tornam mais desgastantes, contribuindo para a violência e para o adoecimento físico e mental de maneira generalizada. 

A Associação de Moradores do CRUSP constrói em conjunto atividades com o ECOS para realizar ações de cuidado coletivo, apoia na atividade mensal “CSEB no CRUSP” para trazer discussões de saúde para a moradia e, sempre que possível, cria novos espaços para atender às nossas necessidades. No entanto, o cenário é mais complexo.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é um dos países com o maior índice de ansiedade do mundo, sendo três vezes maior que a média geral dos países. Somos sobrecarregados de informação o tempo inteiro — nos celulares, nas notícias, no mundo, e coisas pequenas tomam proporções que nos fazem pensar que há uma grande emergência o tempo inteiro. Nesse cenário, as cobranças do ambiente universitário, a falta de dinheiro e adversidades pessoais contribuem para o adoecimento mental generalizado, somado ao isolamento social pós-pandêmico ainda vigente no contexto atual, procurar ajuda e acessar informação é também uma dificuldade.

Onde procurar ajuda?

Graças ao Sistema Único de Saúde (SUS) e iniciativas voluntárias, temos diversas alternativas para acessar uma saúde mental de qualidade:

Centro Saúde-Escola do Butantã (CSEB): É o postinho de referência do CRUSP. Funciona de segunda à sexta-feira, com atendimento específico de uma equipe dedicada ao CRUSP às tardes de segunda e manhãs de sexta. Oferece apoio clínico e acolhimento;

Programa ECOS: É um programa de acolhimento localizado nas colmeias, em frente ao bloco C do CRUSP. Atende das 9h às 17h de segunda a sexta com atendimento espontâneo para escuta qualificada;

EscutaCRUSP: Um projeto de psicólogos voluntários coordenados por antigos moradores do CRUSP para terapia gratuita para moradores. Para se inscrever, é necessário apenas preencher um formulário (clique aqui);

UPA-Lapa: A UPA da Lapa é uma unidade de pronto-atendimento que oferece apoio psiquiátrico emergencial e internações; chamando o SAMU para uma emergência psiquiátrica, o atendimento costuma ser realizado por esta unidade;

Hospital Universitário: É possível agendar atendimentos no H.U. para fazer acompanhamentos relativos à saúde mental pelo site (clique aqui);

Centro de Atendimento Psicossocial do Butantã (CAPS-Butantã): Atendimento psicossocial para sofrimento psíquico severo e persistente, ou crises ocasionadas pelo uso de drogas.

Lutar pela saúde! Defender o SUS!

Mesmo com estes serviços disponíveis, o alcance ainda é condicionado por diversos fatores: mobilidade, disponibilidade, condições financeiras. O sucateamento da rede de saúde pública é um desafio político na sociedade de hoje. Vimos a Equipe de Saúde do CRUSP reduzir seus horários de atendimento e reduzir sua equipe, o Hospital Universitário, que atende boa parte da população da Zona Oeste alagando de maneira crítica diversas vezes por sua estrutura precária (veja aqui). O processo de desmonte não é recente, e é coordenado pela iniciativa privada que utiliza do sucateamento para se apropriar dos hospitais públicos e das Unidades Básicas de Saúde como uma alternativa à gestão pública. Esse processo mecaniza o cuidado, empobrece a relação saúde-doença e parasita o orçamento público com gestões de baixa qualidade.

Essa iniciativa não é apenas do externo para o interno, mas também opera por meio de muito trabalho interno para atender aos interesses privados. De fato, a Reitoria da USP iniciou por meio do programa “Experiência HC” a venda os estágios do maior complexo hospitalar da América Latina, o Hospital das Clínicas, para as instituições de ensino privadas, que, por sua vez, pagavam preços exorbitantes para “alugar” estágios no complexo. Não obstante a privatização dos estágios, que retiravam as vagas dos estudantes de Medicina da rede pública, o plano do atual reitor Aluísio Segurado era de expandir a Experiência HC para os Hospitais Universitários intercampis pela USP, fazendo-o ser gerido cada vez mais pela administração privada.

No cenário mais amplo, o Hospital São Paulo também foi tomado pela iniciativa privada, sucateando de forma progressiva o acesso à população e aos estudantes (veja aqui). Para piorar, os gestores empresariais possuem influência no mais alto nível de deliberação universitária, o Conselho Universitário da UNIFESP, disputando também a política interna da universidade aos seus próprios interesses.

No campo político federal, a extrema-direita pauta com avidez o sucateamento da rede de saúde, defende as gestões empresariais do serviço público e avança no desmonte das políticas de saúde coletivas na sociedade como um todo. Por isso, é necessário erguer a bandeira da defesa do SUS como nunca antes, fortalecer nossas redes de apoio e organizar grandes mobilizações em defesa dos nossos direitos à saúde.

Cuidar de um, cuidar de todos!

O isolamento é uma violência produzida para nos mantermos sistematicamente desunidos, sem acesso à dignidade e com nossas relações com o mundo e com nós próprios fragilizadas. É apenas construindo e consolidando um verdadeiro senso de comunidade que redes de apoio se criam e que a intervenção coletiva contra violências ganha materialidade! Uma vez que a comunidade está unida, suas ações são mais organizadas e qualitativas.  

Por isso, a AMORCRUSP iniciou os trabalhos em seu Comitê de Saúde Física e Mental para disputar esse espaço botando os interesses dos estudantes pobres em pauta, organizando-os para debater saúde na moradia. Nos reunimos quinzenalmente às quintas-feiras, sempre às 17h na Sala de Espelhos da AMORCRUSP. Participe!


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